Tese de Doutorado - Crossdressers...

Eliane Kogut, psicóloga que fez uma tese de doutorado sobre crossdressers, não encontrou durante sua pesquisa  nenhuma CD (abreviação popularmente usada) que gostasse exclusivamente de homens. Em boa parte eram homens casados com mulheres, que curtem se vestir de mulher e interagir sexualmente como tal, mas não pretendem ir à público travestidos. Apesar disso, quando Eliane perguntou para as CDs o que fariam caso pudessem viver como mulheres em uma sociedade livre de opressões, muitas afirmaram desejar viver sempre vestidas de mulher e que se envolveriam ainda mais em atividades femininas.

Essa pesquisa pode levantar a seguinte questão: seria o crossdressing uma forma de expressão construída pelas barreiras sociais? Aquilo o que as cross fazem esporadicamente entre quatro paredes poderia ser feito publicamente e com maior frequência, se não fosse o preconceito em ambientes familiares, de trabalho, entre amigos e na rua? Respostas que só podem ser dadas individualmente pelas crossdressers e que fazem parte dos objetivos da minha matéria.

Comecei a me questionar os porquês de eu nunca ter desejado me vestir como homem (apesar de já ter feito isso para uma reportagem) e a resposta estava no meu armário: eu tenho coturnos, camisas, calças largas, calcinhas estilo cuequinha, posso usar jóias masculinas, posso ter tatuagens meio “de macho” e ninguém vai me encher o saco. Mas basta um homem sair na rua de saia, OU com uma bolsa feminina, OU um item de maquiagem na cara que, pronto: “VIADINHO!” Não quer ser viril? “BAITOLA!” Imaginei-me como um homem e pude enxergar que tenho bem mais liberdade para usar roupas e adornos sem me chamarem de “caminhoneira” por aí.

Talvez, só talvez, isso aconteça porque o time feminino é perdedor desde que o mundo é mundo. Na maioria absoluta das sociedades, os homens têm mais poder e sempre usaram e abusaram dele. Então, cara, como assim você quer usar o uniforme delas? Esse batom te torna mau sujeito, essa voz fina te deixa frágil, essa perna depilada te garante que você vai experimentar o gosto que o machismo tem.

Eliane Kogut
Tese de doutorado

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, obrigada por estar visitando o meu cantinho. Espero que tenha gostado e que volte sempre.

Deixe a sua mensagem, e se puder contribua me enviando materiais como: fotos, vídeos, contos, aventuras suas, dicas, e tudo o que você achar que está faltando neste blog.

Envie também, as suas sugestões, críticas ou elogios.

Beijos, Érika Diniz.